segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Independências da América Espanhola foram um processo revolucionário?

Segue uma síntese da introdução do livro:
GUERRA, François-Xavier. Modernidad e Independencias. Ensayos sobre las revoluciones hispánicas. México: Editorial Mpfre, 1992.

Introdução – Un proceso revolucionario único

Para o autor, as independências hispanoamericanas devem ser tratadas como um processo único, cujo entendimento deve ser localizado em três problemáticas:
Primeiro, o caráter global do processo, já que a Revolução Liberal espanhola estava imbricada com as Independências hispanoamericanas.
Segundo, trata da natureza desse processo independentista que deve ser encarado como um processo revolucionário. Pensar em revolução é problemático pois muitos consideram apenas a indicação de transformações estruturais ou como um fenômeno meramente político.
A comparação com a Revolução Francesa a tal ponto de reduzir as revoluções hispanoamericanas a trocas institucionais, sociais e ecnonômicas não serve mais. O autor mostra por que as independências são, sim, revoluções, destacando outros aspectos, também revolucionários: a consciência dos atores, a abordagem de uma “nova era”, de um “homem novo” e uma “nova sociedade e uma nova política”. (p. 13)
O novo é a criação de uma cena pública, quando as referências privadas se tornam públicas. Essas mudanças são chamadas de modernidade, uma ruptura profunda e irreversível.
No processo revolucionário, a identidade não é econômica, mas sim, de pertencimento cultural. A dimensão sócio-econômica é importante, mas o autor não se propõe a tratar desse aspecto. O autor deseja abordar os códigos culturais do conjunto de grupos sociais. Um vasto campo de estudo, ao considerar o imaginário social, os valores, os comportamentos.
Terceiro problema, diz respeito a relação entre a revolução hispânica e a Revolução Francesa, cujo lapso temporal é de apenas 20 anos. A importância da Revolução Francesa é destacada não apenas como uma nova política para a Europa, mas como um fenômeno social e cultural tão novo que dominou o debate político da época. A Independência é filha da Revolução Francesa e conseqüência da difusão, na América, dos seus princípios.
A tarefa do historiador, aponta Guerra, captar e medir, geográfica e socialmente, a inevitável heterogeneidade cultural.
O que todas as regiões da América tem em comum é seu pertencimento a um mesmo conjunto político e cultural. As causalidades primeiras são buscadas nos campos do político e do cultural.
O autor trabalha com o “tempo longo” e o “tempo curto”, a longa e a pequena duração, pois os acontecimentos do tempo curto, como as rupturas, modificam as situações políticas no tempo longo, detendo-se no período dos anos 1808-1810, em seus acontecimentos que levariam a ruptura, naquele momento ainda não consolidada, mas irreversível.