quinta-feira, 3 de julho de 2008

A difícil contrução da Identidade Nacional


A independência do Brasil, em 1822, foi feita pela elite nacional, numa negociação com a Coroa e a Inglaterra. A partir daí, a nação começou a buscar uma definição. Mas apenas a língua e a religião eram fatores comuns no imenso território brasileiro. Faltava um identidade nacional. As pessoas foram definidas como 'brasileiras', numa cidadania muito excludente e, à maneira antiga, a identidade do brasileiro passou a ser a de súdito do imperador. Do mesmo modo, quando da formação dos Estados Nacionais europeus, a população se referia ao seus Estados como 'pertença', como súditos do rei. No Brasil do XIX não havia escolas, não havia cultura escrita, havia, sim, escravidão. A tradição agrária continuou, a ideologia conservadora somada ao voto censitário reforçavam as desigualdades.
Quando da Proclamação da República, a diversidade de estados foi enfatizada, mas o Estado era oligárquico, elitizado.
Apenas após a Revolução de 1930 e até o Estado Novo, o Brasil adota uma política de massa, nacionalista, com Getúlio Vargas. A escola, tendo o português como língua oficial, para a ser o elemento de criação de indentidade. Há uma certa homogeneidade cultural e a difusão de símbolos nacionais. Essa homogeneização, porém, é parcial, porque boa parte da população continuava analfabeta.
Após 1946 há um retorno parcial às diferenças regionais (abafadas pelo Estado Novo), com bandeiras e hinos.
No Regime Militar houve um reforço das características de fundo homogêneo, da unidade nacional, a partir de políticas estratégicas, como as comunicações de massa e seu controel, a criação de um rede de comunicação, a TV Globo, com seu Jornal Nacional e a novela das '20h' para todo o Brasil. Os jornalistas criaram o 'sotaque padrão' para o país.
Até a década de 1970 se as pessoas compartilhavam valores, então, elas faziam parte da sociedade. Houve questionamento desta visão. Mostrou-se que a identidade não é fixa, que as pessoas podem se identificar com diferentes coisas e suas escolhas estão dentro de um contexto, de uma situação com fluidez, que mudam com o tempo, pois existem conflitos.
Atualmente, muito falta à nação, pois se nação não é apenas a organização política de um Estado mas também a relação entre a população e o Estado incluindo direitos e deveres, pode-se dizer que uma identidade nacional ainda não foi plenamente construída e só o será de modo mais favorável quando houver um equilíbrio entre os privilégios de poucos e a fome de muitos.