quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Religião no Império do Brasil

No Império do Brasil, a nação independente através da Constituição de 1824, manteve o catolicismo como religião oficial e a Igreja Católica dependente do Estado, embora permitisse liberdade de culto doméstico ou particular. Oficialmente o país proclamava-se católico, mas na prática, quase sempre, as expressões de religiosidade e fé estavam à margem das práticas e dos dogmas oficiais da Igreja. Veneravam-se santos, Jesus e imagens de Nossa Senhora de maneira familiar e informal. A intimidade do brasileiro com o sagrado estava distanciada das pregações oficiais e inclusive o clero pouco se distinguia dos fiéis leigos, atuando na política, realizando práticas comerciais e estabelecendo relações amorosas. Nas cidades, as condições de culto e das paróquias eram precárias. E, embora a partir de 1860, a Igreja reforçasse a autoridade do papa, o controle do clero e a tentativa de reformar a fé através da depuração e da instrução religiosa, na prática, a religiosidade vivenciada continuou a integrar o cotidiano das pessoas ao modo colonial e tradicional, a partir de uma sensibilidade íntima e pessoal, próxima da magia e longe dos sacramentos católicos.