quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Escravidão enraizada

No Brasil todos estavam imersos na sociedade e no pensamento escravista, nem mesmo os quilombolas podiam fugiam para fora da sociedade escravista. Mantinham-se em contato com essa sociedade seja pelo comércio de mercadorias, seja pelo comércio de valores. Sabe-se, por exemplo, que mesmo em Palmares, símbolo atual da libertação negra, havia escravos. Os escravos que, às vésperas da abolição, fugiam para as cidades também permaneciam dentro do sistema. Apenas se deslocavam dentro das entranhas do monstro. Os que fugiam para o Rio de Janeiro, para a capital do Império, no máximo conseguiam atacar-se na cabeça do monstro.
José Murilo de Carvalho

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