terça-feira, 16 de outubro de 2007

Trabalho e Globalização


Nestes tempos de globalização, trabalho com direitos garantidos em lei e carteira assinada quase não existe ou está em extinção no nosso país. São os cruéis efeitos da globalização, das mudanças no mundo do trabalho, das políticas governamentais e do momento de transformações em que vivemos.
Primeiro foram as mudanças tecnológicas, que desde o final do século XX começaram, no Brasil, a substituir o homem pela máquina, mais eficaz e produtiva. Na era da informação, da comunicação e da automação, computadores, internet, maquinários e robôs eliminaram campos de trabalho, substituindo mão-de-obra por um simples clique no mouse ou em um botão do controle remoto, prático e econômico.
Depois, a expansão das grandes empresas que passaram a se instalar em vários países sob o tratado da integração dos mercados mundiais, as chamadas multinacionais. Ao invés de uma grande fábrica com milhares de funcionários, cada vez mais fábricas pequenas e esparramadas pelo mundo em busca de maiores lucros com ofertas de salários baixos, ou seja, mão-de-obra barata e mercados consumidores. Dessa forma, as empresas enriquecem às custas de nossas riquezas, tanto naturais quanto humanas como a nossa força de trabalho. Enriquecem e nos empobrecem, pois essa é a conhecida lógica básica do capitalismo, ou seja, crescer destruindo.
Essas mudanças pelas quais passamos atualmente e que afetam diretamente nossa vida, deixam cicatrizes e gostos amargos. O desemprego é uma lógica do crescimento do capitalismo, seu aspecto negativo e nossa cicatriz profunda, porque alguns crescem à custa de outros, destruindo o meio ambiente, a natureza e nosso trabalho. Atingindo milhões de pessoas, o desemprego gera um outro mundo, com gosto amargo: aquele da ocupação precária, informal, sem estabilidade, sem direitos. Cada vez mais, poucos trabalham muito e muitos são excluídos, vivendo à margem da sociedade, na informalidade ou, na pior das hipóteses, na violência e no crime.
Diante deste cenário deprimente, onde a perspectiva de futuro se apresenta de maneira negativa, como se já não houvesse esperança de algo melhor, diferente, temos que resgatar nossa auto-estima e lutar por alternativas possíveis. Precisamos de um governo que, com moralidade, represente os interesses da maioria e que com suas políticas atenda aos anseios da população, por cidadania e justiça, que já se organiza de modo cada vez mais eficaz, através do engajamento em sindicatos e de lutas sociais históricas. É a demonstração de que num país onde a fronteira entre a esquerda e a direita foi diluída, surgem novas formas de reivindicação de direitos e oportunidades.
Este é o contexto delicado e complexo para os trabalhadores, que suam diariamente para sobreviver com seus empregos garantidos ou com “biscates”. Num mundo cada vez mais individual, subjetivo, egoísta e descomprometido, a luta pela dignidade para enfrentar o desemprego e tudo que seus efeitos acarretam, está mais do que na ordem do dia! Trabalho digno é o que todo cidadão deseja.

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