segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Páginas da política brasileira

Quando se fala em política hoje, lembra-se logo da esfera institucional e, infelizmente, do cansaço e insatisfação da população frente à corrupção, à desmoralização e à violência desta política, ou melhor, politicagem. A fatalidade da democracia é a inércia, o conformismo e o desinteresse diante da penosa realidade política do país, uma vez que essa postura permite que a minoria interessada e interesseira nos governe.
O político não presta concurso, o cargo é eletivo e temporário, mas mesmo assim não se exige comprovante de competência profissional. Honestos e corruptos trilham a mesma rota há anos.
Desde os primórdios em que se estabeleceu a história ‘oficial’ desta terra chamada Brasil, a política segue seu rumo por caminhos angustiantes e tortuosos.
O comentador português Pero Vaz de Caminha já escrevia em 1500 que a terra de “tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo”. O novo território era um paraíso para enriquecer alguns; inicialmente, portugueses; depois, ingleses; e por fim, norte-americanos. Nesse contexto de busca incontrolável por poder, riquezas e glórias, o povo, a sociedade brasileira em si, foi ganhando características culturais peculiares e ficando cada vez mais marginalizada.
A construção do Estado Nacional brasileiro foi marcado pela exclusão política da maioria, principalmente no que tange ao direito ao voto. As conquistas foram lentas, graduais. Quando enfim, nos anos 1990, retornou a vez da democracia, a esperança de política ética, como direito fundamental do ser humano, estusiasmava a todos.
Já há 15 anos, o primeiro presidente eleito pelo voto direto após a Ditadura Militar, Fernando Collor de Mello, sofria um processo de impeachment por motivo de escandalosa (e comprovada) corrupção. Todavia lembremos que o mesmo voltou em 2007 à vida política, como senador eleito por Alagoas.
De Collor à Lula, passando por FHC, houve apenas eleições, mudanças de governo, não houve alterações no sistema. O desemprego, a miséria, a fome, a precariedade da educação, da saúde continuam; já são marcas registradas da nação.
Um país-líder em desigualdade social, com uma massa de excluídos, continua sem representação política. Ainda esperamos um governo para o povo.
Bolsa família, um meio de alimentar os pobres do Brasil distribuindo renda, nada mais é do que a velha politicagem conhecida no país, baseada nos interesses pessoais, uma troca de ‘favores’ no estilo dos antigos coronéis, que trocavam, compravam e obrigavam o voto por um benefício mínimo qualquer.
A reeleição parece ser somente um meio possível de se continuar no poder, não um meio necessário para a continuidade de melhorias sociais. Existe uma acomodação de interesses, de políticas de toda ordem que fazem da vida pública uma profissão, um meio de melhorar a própria vida. Sem ética, princípios e projetos, o lema do mundo ocidental desde o século XVIII, “liberdade, igualdade e fraternidade” que, diga-se de passagem, nunca foi alcançado na plenitude, continua na irrelevância em nome do lucro individual.
No governo Lula, não é possível dizer que houve um significativo avanço na área social, uma vez que a política econômica não a tem como prioridade. As iniciais aspirações de Lula foram freadas pelo interesse de uma minoria. Projetos como os de Lênin em 1917, durante a Revolução Russa, que pregava “paz, terra e pão”, não se efetivaram até agora no Brasil.
A república, a res pública, a coisa pública, precisa ser governada com transparência e com compromisso com a humanização da sociedade, com a solidariedade e com a vida. Essa é uma proposta – política – de inclusão, representação e participação. Recursos públicos podem ser usados para favorecer a maioria e não para pagar contas privadas, atividades ilegais, mordomias, vantagens, ou mesmo criar cargos e desviar verbas para caixas extras.
O livro do Brasil está aberto, disponível para quem sabe ler... E que todos o leiam, começando pelo interesse em discutir a nossa política, para que, talvez no futuro, possamos escrever uma nova história.

Nenhum comentário: